quinta-feira, 13 de agosto de 2009

tipos de colhedeira de algodao

Algodão adensado ganha espaço em Mato Grosso


O algodão adensado é a novidade apresentada pelo Instituto Mato-grossense de Algodão (IMA) no Dia de Campo da Associação Mato-grossense de Algodão (Ampa) na Fazenda São Francisco, em Rondonópolis (212 Km ao Sul de Cuiabá), nesta quarta-feira. A nova tecnologia, trazida dos Estados Unidos e da Argentina, reduz os custos do plantio em 25% comparado ao cultivo do algodão normal. Para o Estado de Mato Grosso que perdeu em torno de 200 mil hectares nos últimos anos, o sistema do algodão adensado surge como alternativa de recuperação do setor.

O governador do Estado, Blairo Maggi, que participou da apresentação da tecnologia neste Dia de Campo, destacou que a recuperação da área do algodão deve começar já neste ano, de safra 2009/2010 plantada, e “retornar aos 400 mil, 500 mil hectares no Estado. Com competitividade e resultados para o produtor, que é o mais importante”, completou o chefe do Executivo estadual.

O proprietário da Fazenda São Francisco, Sérgio De Marco, produtor de algodão há 11 anos, argumentou que com o algodão normal não sobreviveria nenhum produtor, mas com a nova tecnologia “a lavoura é mais barata, o que é bom para o produtor, para a economia, o mercado, o Estado e o país”, disse o produtor ao lembrar que a cultura do algodão emprega mais que o da soja. Em todo o Estado de Mato Grosso foram plantadas cinco mil hectares do algodão adensado.

Na fazenda São Francisco são 920 hectares. “É um algodão (adensado) bom em qualidade e estamos produzindo tanto quanto o outro”, contou De Marco, que também desenvolve a mesma experiência em Itiquira. Segundo ele, com colheita fácil e uma das melhores culturas produzidas no Estado e mais resistentes a pragas. Além de buscar as experiências dos EUA e da Argentina, o novo sistema trouxe ainda para Mato Grosso a adaptação das máquinas utilizadas para o sistema.

O cultivo do algodão adensado faz uso das colheitadeiras de algodão Stripper pente e escova. Maquinários que não enrolam tanto o algodão colhido, o que melhora a qualidade do produto. “Estamos colhendo resultados promissores, tanto em produtividade como na qualidade intrínseca da flor”, ressaltou o presidente da Ampa, Gilson Pinesso. Ele explicou que no cultivo do algodão adensado, as mudas são plantadas muito próximas uma da outra o que aumenta a quantidade plantada num menor espaço e o tempo de plantio também é menor que do algodão normal. “De 150 a 200 dias para 145 a 150 dias”, acrescentou Pinesso.

O governador avaliou que a atividade que a Ampa faz, através do seu Instituto Mato-grossense de Algodão (IMA), é muito interessante, porque demonstra a capacidade que os produtores mato-grossenses têm, ainda mais quando os negócios começam a ficar complicados, os produtores começam a perder produtividade e precisam de novas alternativas. “O mato-grossense é um produtor mais arrojado, tem que dar um pulo muito maior e isso faz a diferença”, declarou Blairo Maggi, ao falar sobre a nova tecnologia do algodão adensado trazido para Mato Grosso.

Os resultados do novo sistema serão apresentados durante o Congresso Brasileiro de Algodão, conforme prometeu De Marco. O Dia de Campo da Ampa reúne técnicos do setor do Agronegócio do Estado, de todo o Brasil e ainda da Argentina, Uruguai e Suiça. Integraram a comitiva do governador, os secretários de Estado de Desenvolvimento Rural, Neldo Egon Weirich, secretário extraordinário de Projetos Estratégicos, José Aparecido dos Santos (Cidinho), deputado estadual Hermínio J.Barreto, entre outros.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Algodão adensado: redução nos custos?

A safra 2008/09 deve passar por algumas dificuldades, dada a atual crise de crédito e os elevados preços dos insumos agrícolas verificados ao longo do ano, os quais apresentaram altas de preços que ultrapassaram 100% para alguns fertilizantes. Isso levou a aumentos significativos dos custos de produção, principalmente para o algodão, cultura que demanda quantidades elevadas de nutrientes.

Dessa forma, a redução dos custos produtivos é vislumbrada por produtores como principal saída para a crise, o que garantiria retornos positivos de investimento. Entretanto, simplesmente cortar custos de produção pode não ser suficiente para proporcionar uma maior lucratividade ao cotonicultor.

A colheita representa um item importante nos custos de produção do algodoeiro. Visando à diminuição do custo com colheita (e consequentemente do custo total de produção), uma das opções pode ser a utilização do chamado cultivo adensado do algodoeiro, técnica que ainda não é amplamente conhecida no país.

O espaçamento convencional do algodoeiro gira entre 0,8 metros e 0,9 metros, podendo chegar até 0,76 metros, espaçamento mínimo que permite a colheita mecânica da cultura com as atuais colhedoras.

O espaçamento do algodão adensado é aquele que utiliza distância entre linhas inferior ao utilizado atualmente. Um espaçamento de cultivo que poderia ser facilmente introduzido é aquele utilizado para a cultura da soja, que é de 0,45 metros, podendo ser ainda mais reduzido.

Algumas diferenças agronômicas são verificadas com a utilização do algodão adensado, principalmente em relação ao crescimento vegetativo das plantas. Com uma maior competição entre plantas e menores espaçamentos, há uma tendência de as plantas apresentarem um encurtamento de seu ciclo.

Além disso, o número de estruturas reprodutivas por planta (devido à maior quantidade de plantas por hectare) é menor, fazendo com que a lavoura ganhe em número de maçãs-capulho por área, e não por planta, proporcionando uma possível maior produtividade por área. Além disso, com um cultivo mais adensado, o controle de plantas daninhas pode ser mais facilitado, devido à menor entrada de raios solares que permitam o desenvolvimento de plantas daninhas.

O principal cuidado que deve ser tomado na hora de optar por um cultivo adensado deve ser verificar como será realizada a colheita da cultura, visto que as principais colhedoras existentes nas propriedades cotonicultoras apresentam limitações em relação ao espaçamento utilizado, não permitindo colher espaçamentos adensados. Outro aspecto bastante importante em relação à escolha do cultivo adensado é a cultivar a ser utilizada, devido ao fato de diferentes cultivares apresentarem hábitos de crescimento bastante diferenciados, variando de baixo a alto desenvolvimento vegetativo, o que pode influenciar na arquitetura final das plantas.

Também deve ser acompanhada a incidência de doenças com este tipo de espaçamento, pois haverá uma menor entrada de raios solares na cultura, podendo modificar o microclima e conseqüentemente aumentar a chance de incidência de doenças.

O algodão adensado é indicado em casos onde há a possibilidade de colheita adequada, quando há disponibilização de cultivares adaptadas fenologicamente à esta mudança de espaçamento e quando produtores buscam menores custos de colheita para diminuir seus custos produtivos finais, além de obter maiores produtividades.

Entre outras variáveis, há a necessidade de verificação da população de plantas utilizadas, se o número de plantas por área será o mesmo que o utilizado em maiores espaçamentos (levando a um menor número de plantas por metro) ou se será mantido o mesmo número de plantas por metro (aumentando a população de plantas por área).

Além disso, o algodoeiro é uma cultura que requer utilização de reguladores de crescimento, sendo bastante influenciado pelo espaçamento, devendo ser levado em consideração este item no manejo da cultura. Devido ao maior “fechamento” da lavoura, pode ser verificada maior dificuldade de penetração de defensivos na hora do manejo de pragas e doenças, o que deve ser acompanhado com cuidado.

Com o cultivo do algodoeiro com menores espaçamentos, o principal reflexo deverá ser verificado na hora da colheita. O que deve ser respondido é se a qualidade da fibra produzida com este tipo de cultivo atingirá os mesmos níveis de qualidade obtidos com os espaçamentos tradicionais, devido à utilização de um tipo diferenciado de colhedora. Também se a redução de custo obtida com o manejo garantirá um aumento na receita líquida na hora da comercialização da fibra que garanta a introdução deste sistema.

Dessa forma, não basta apenas a introdução de uma nova tecnologia para os atuais moldes produtivos brasileiros, visando simplesmente à diminuição de custos produtivos, com técnicas utilizadas em outros países e apenas transferidas para os campos produtivos nacionais. Há a necessidade de uma melhor verificação dos fatores inerentes à utilização de tal técnica, para somente assim ser utilizada em mais ampla escala.

Na atual crise, um bom manejo da cultura, a compra de defensivos em grande quantidade ou através de associação de produtores e cooperativas que diminuam o preço unitário e a utilização consciente de técnicas de cultivo da cultura e defensivos para o controle de pragas e doenças ainda são as ferramentas mais adequadas. Porém, a introdução consciente de novas técnicas produtivas é sempre importante para garantir a sustentabilidade da cultura.

Redação: Carlos Ballaminut
Edição: Mariana Perozzi